OH FILHA DE ZEUS
Oh filha de Zeus, imortal Afrodite,
tu que tanto engano teces, em teu trono
cintilante, não sujeites meu coração
a dor tão grande!
Vem, vem como quando um dia ao longe
a voz me ouviste, as súplicas me escutaste,
e a casa de teu pai abandonando
até mim vieste,
em teu carro de oiro. Belas, velozes aves
do alto Céu à Terra escura te trouxeram
em numeroso e denso agitar de asas
através do ar.
Depressa aqui chegaram, e tu, divina,
um sorriso abrindo no rosto imortal,
perguntaste que sofrimento era o meu
para assim clamar,
e que queria meu louco coração ainda.
«Quem queres tu que persuada agora
ao teu amor? De quem te queixas, Safo?
Quem te atormenta?
Se ela te foge, seguir-te-á não tarda;
se o que lhe dás recusa, em breve será ela
a dar; se te não ama, sem o que deseje,
virá a amar-te
Oh vem, vem agora e liberta-me desta
angústia mortal! O que meu coração
tanto deseja, faz que aconteça. Vem,
ajuda-me a lutar!
Safo
(Poetisa Grega do século VII a.C.)
(tradução de Eugénio de Andrade)
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