A FORCA
Já que adorar-me dizes que não podes,
Imperatriz serena, alva e discreta,
Ai, como no teu colo há muita seta
E o teu peito é peito dum Herodes,
Eu antes que encaneçam meus bigodes
Ao meu mister de amar-te hei de pôr meta,
O coração mo diz - feroz profeta,
Que anões faz dos colossos lá de Rodes…
E a vida depurada no cadinho
Das eróticas dores do alvoroço,
Acabará na forca, num azinho,
Mas o que há de apertar o meu pescoço
Em lugar de ser corda de bom linho
Será do teu cabelo um menos grosso.
O2 de Abril de 1873
In “O Livro de Cesário Verde”
Cesário Verde
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