CÂNTICO VERMELHO
Amo-te Felisbela
com a voz silenciada do meu sangue irmão
Da mais funda gruta de África
nosso hino rebenta florindo
os velhos jacarandás do teu país
Ordeiro, calo-me
Mas é nos teus olhos que enraízo
os meus versos salgados
neles afogo para sempre!
o orgulho que me ensinam
e de que só me defende
tua ingénua mão espancada de séculos
Amo-te Felis
com o ímpeto desses rios
que meus avós sujaram
Amo-te Felis
na cândida melodia
das marimbas do teu povo
Amo-te Felis
no ritmo da mensagem cega, pura
das canções de tuas avós violadas
Amo-te Felis
com um amor marejado de lágrimas
as mesmas, querida,
que humedeciam nos mares antigos
o brumoso convés dos seus barcos negreiros
Mas só to direi simplesmente
quando à quieta luz dos dias que hão-de vir
o meu grito de guerra e de poeta
se quebrar em tua boca enfim livre
nos beijos despidos
da vergonha que me cobre.
In “Albas”
Quasi Edições
Sebastião Alba
(Pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves)
Poeta Português, naturalizado Moçambicano
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