Terça-feira, 18 de Março de 2014

Eu li... Adolfo Simões Müller

O MISTÉRIO DA PALAVRA

Porque será que uma palavra aflora
correspondendo logo ao nosso apelo,
com a medida justa, o justo emprego,
enquanto noutras vezes se demora
(rimmel, bâton, um jeito no cabelo...)
e chega em voo cego de morcego?

Porque será que uma palavra quase
vai buscar outra dentre a multidão,
e esta segunda, uma terceira e quarta,
e assim nasce de súbito, uma frase,
um belo verso, a quadra ou a canção,
a sentença de morte, a tua carta?

Porque será que uma palavra, impávida,
resiste aos séculos e fica jovem,
ou morre (cancro, enfarte, dor reumática),
enquanto outra, novinha, surge grávida,
e aos nove meses os filhinhos chovem
que é um louvar a Deus e à gramática?

Porque será que a rima atrai a rima,
e a rima nova é como o vinho novo
que salta e espuma e baila na garganta?
E outra rima! Outras rimas! A vindima
das palavras não pára... E, no renovo,
o poema é estrela que alumia e canta!

Porquê esta mistério, Poesia?
És tal e qual a electricidade:
existe mas nem sempre a gente a vê.
Porque foges um ano e mais um dia
e voltas, alta noite, claridade?
Porquê? Porque será? Porquê? Porquê?

Adolfo Simões Müller

1909 – 1989

publicado por cateespero às 00:00
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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Eu li... Adolfo Simõe...

LOVE-FICTIONO poeta é um fingidorFernando PessoaQuando chegar à Lua, hei-de encontrar,na fria alcova de árida cratera,a ...

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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Eu li... Adolfo Simõe...

POETAS MALDITOSMalditos poetas, que disseram tudoe tudo tão bem dito!Malditos poetas, que me deixam mudo,sem um ai, uma ...

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