Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

Euli... José Simões Dias

A TUA ROCA

 

 Quando te vejo à noitinha

 Nessa cadeira sentada,

 Xaile cruzado no peito,

 Na cinta a roca enfeitada.

 

 Os olhos postos na estriga,

 Volvendo o fuso nos dedos,

 Os lábios contando ao fio

 Da tua boca segredos.

 

 Eu digo, sem que tu oiças,

 Pondo os olhos na tua roca:

 Se eu um dia fosse estriga,

 Beijaria aquela boca!

 

 Que eu nunca te vi fiando

 Sem invejar os desvelos

 Com que desfias do linho

 Os brancos, finos cabelos!

 

 E aquela fita de seda

 Com que enleias o fiado,

 Irmã do lencinho verde

 Que trazes no penteado?

 

 Parece aquilo um abraço

 De um amor que é todo nosso,

 A trança do teu cabelo

 Em volta do meu pescoço!

 

 É por isso que eu murmuro

 Vendo a fita que se enreda:

 Quem me dera ser a estriga,

 E ela a fitinha de seda!

 

 Eu já sei o que sinto,

 Se tristeza, se ventura,

 Mal que suspendes a roca

 Da tua breve cintura!

 

 Penso que fias nos dedos

 Os dias da minha vida,

 Ao pé de ti sempre curta,

 Ao longe sempre comprida!

 

 Pareces-me um ramalhete

 Sentada nessa cadeira,

 E a fita da tua roca

 A silva de uma roseira.

 

 Meu amor, quando acabares

 De espiar a tua estriga

 E ouvires por alta noite

 Soluçar uma cantiga,

 

 Sou eu que estou a lembrar-me

 Da tua divina boca,

 E penso que em mim são dados

 Os beijos que dás na roca!

 

In “Peninsulares” – 1876

 

José Simões Dias

1844 – 1899

publicado por cateespero às 00:00
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