Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012

Euli... Conceição Lima

ANTES DO POEMA

 

I

Quando o luar caiu

e tingiu de magia os verdes da ilha

cheguei, mas tu já não eras.

Cheguei quando as sombras revelavam

os murmúrios do teu corpo

e não eras.

Cheguei para despojar de limites

o teu nome.

Não eras.

As nuvens estão densas de ti

sustentam a tua ausência

recusam o ocaso do teu corpo

mas não és.

Pedra a pedra encho a noite

do teu rosto sem medida

para te construir convoco os dias

pedra a pedra

no tempo que te consome.

As pedras crescem como vagas

no silêncio do teu corpo

Jorram e rolam

como flores violentas

no silêncio do teu corpo

E sangram. Como pássaros exaustos.

A noite e o vento se entrelaçam

no vazio que te espera.

 

II

Súbito chegaste

quando falsos deuses subornavam

o tempo.

Chegaste para despedir

a insónia e o frio

Chegaste sem aviso

quando a estrada se abria

como um rio

chegaste para resgatar

sem demora o principio.

 

Grave o silêncio rodeia o teu corpo

hostil o silêncio agarra o teu corpo.

Mas já tomaste horas e caminhos

já venceste matos e abismos

já a espessura do obô

resplandece em tua testa.

E não bastam pombas em demência

no teu rosto

não bastam consciências soluçantes

em teu rasto

não basta o delírio das lágrimas libertas.

 

Eu cantarei em pranto

teu regresso sem idade

teu retorno do exílio na saudade

cantarei sobre a terra

teu destino de rebelde.

 

Para te saudar no mar e no palmar

na manhã do canto sem represas

cantarei a praia lisa e o pomar.

 

Direi teu nome e tu serás.

 

 

In "O Útero da Casa"

Editorial Caminho – 2004 – Lisboa

 

Conceição Lima

(Poetisa de S. Tomé e Príncipe)

N. 1961

 

publicado por cateespero às 00:00
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