Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Eu li... Jorge Barbosa

SIMPLICIDADE

 

Eu queria ser simples naturalmente

sem o propósito de ser simples.

 

Saberia assim sofrer com mais calma

e rir com mais graça.

Saberia amar sem precipitações.

 

Os meus sonhos não meteriam esses rumos impossíveis

de terras mais além.

Bastar-me-ia a curta travessia no mar de canal

num dos nossos minúsculos veleiros

para ir conhecer a ilha defronte.

 

Não teria ambições de posses e grandezas.

Contentar-me-ia

com os insignificantes objectos que os pobres estimam

algum canivete com argola para pendurar no cinto

que bem me serviria para picar na palma da mão

o tabaco para o cachimbo.

Ou talvez quisesse um relógio barato

desses que vinham do Japão antes da guerra.

 

Chegá-la-ia ao ouvido do meu filho mais novo

só para lhe ver no rosto

a expressão de espanto e curiosidade.

E quando estivesse assentado à porta de casa

nas pesadas noutes de Verão

veria as horas no mostrador luminoso.

 

Eu queria ser simples

e a minha vida seria

sem egoísmos, sem ódios, sem invejas, sem remorsos.

A minha felicidade

não incomodaria ninguém

nem haveria impropérios nem blasfémias

nos meus momentos difíceis.

 

Seria sem gramática

a minha poesia,

feita toda de cor

ao som do violão

com palavras aprendidas na fala do povo.

 

Eu queria ser simples naturalmente

sem saber que existia a simplicidade.

 

 

In “Ler Por Gosto”

Areal Editores

 

Jorge Barbosa

(Poeta Cabo-Verdiano)

1902 – 1971  

publicado por cateespero às 00:00
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