Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Euli... Pablo Neruda

DOIS AMANTES FELIZES FAZEM UM SÓ PÃO

  

Dois amantes felizes fazem um só pão,

uma só gota de lua sobre a erva,

deixam andando duas sombras que se juntam,

deixam um único sol vazio numa cama.

  

De todas as verdades escolheram o dia:

não se atavam com fios, mas com um aroma,

e não despedaçaram a paz nem as palavras.

A alegria é uma torre transparente.

    

O ar, o vinho, vão com os dois amantes,

a noite dá-lhes as suas pétalas felizes,

têm direito aos cravos que apareçam.

  

Dois amantes felizes não têm fim nem morte

nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,

são eternos como é a natureza.

    

In "Cem sonetos de amor"

Edições Dom Quixote

 

Pablo Neruda

(1904-1973)

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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

Eu li... Al-Mu'tamid

EVOCAÇÃO DE SILVES

 

Saúda, por mim, Abû Bakr,

os queridos lugares de Silves

e diz-me se deles a saudade

é tão grande quanto a minha.

Saúda o Palácio dos Balcões,

da parte de quem nunca o esqueceu,

morada de leões e de gazelas

salas e sombras onde eu

doce refúgio encontrava

entre ancas opulentas

e tão estreitas cinturas.

Moças níveas e morenas

atravessavam-me a alma

como brancas espadas,

como lanças escuras.

Ai quantas noites fiquei,

lá no remanso do rio,

preso nos jogos do amor

com a da pulseira curva,

igual aos meandros da água,

enquanto o tempo passava...

ela me servia vinho:

o vinho do seu olhar,

às vezes o do seu copo,

e outras vezes o da boca.

Tangia-me o alaúde

e eis que eu estremecia

como se estivesse ouvindo

tendões de colos cortados.

Mas se retirava as vestes

grácil detalhe mostrando,

era ramo de salgueiro

que me abria o seu botão

para ostentar a flor.

 

Trad. de Adalberto Alves

 

In "O Meu Coração É Árabe: Poesia Luso-Árabe"

Assírio & Alvim - 1987

 

Al-Mu'tamid

(1040-1095)

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Sábado, 10 de Setembro de 2016

Eu li... Vinicius de Moraes

SONETO DO MAIOR AMOR

 

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

 

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

 

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

 

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
 

In “Livro dos Sonetos”

 

Vinicius de Moraes

(1913-1980)

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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016

Eu li... Camilo Pessanha

DEPOIS DAS BODAS DE OIRO

 

Depois das bodas de oiro,

 

Da hora prometida,

Não sei que mal agoiro

Me anoiteceu a vida...

 

Temo de regressar...

E mata-me a saudade...

- Mas de me recordar

Não sei que dor me invade.

 

Nem quero prosseguir,

Trilhar novos caminhos,

Meus pobres pés dorir,

Já roxos dos espinhos.

 

Nem ficar... e morrer...

Perder-te, imagem vaga...

Cessar... não mais te ver...

Como uma luz se apaga...

 

In "Clepsidra”

 

Camilo Pessanha

(1867-1926)

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