Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Eu li... Amélia Dalomba

HERANÇA DE MORTE

 

Lírios em mãos de carrascos

Pombal à porta de ladrões

Filho de mulher à boca do lixo

Feridas gangrenadas sobre pontes quebradas

Assim construímos África nos cursos de herança e morte

Quando a crosta romper os beiços da terra

O vento ditará a sentença aos deserdados

Um feixe de luz constante na paginação da história

Cada ser um dever e um direito

Na voz ferida todos os abismos deglutidos pela esperança

 

 

Todos os Sonhos 

 

In “Antologia da Poesia Moderna Angolana”

Organização Adriano Botelho de Vasconcelos

União dos Escritores Angolanos

 

Amélia Dalomba **

(Poetisa e Jornalista Angolana)

N. 1961

 

 

**Pseudónimo de Maria Amélia Gomes Barros da Lomba do Amaral

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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Eu li... António Barroso (Tiago)

NATUREZA

 

Sigo, devagar, p'los campos sem fim,

Escuto canções no vento que passa,

As flores bailam, com beleza e graça,

E tudo, em meu redor, lembra um jardim.

 

Há, no ar, aromas de amor perfeito

Transportados em nuvens de cristal,

O azul do céu é mais celestial

E as papoilas se espalham, sem defeito.

 

Vê-se uma linda luz que nos acalma,

Que faz lançar, ao alto uma oração

Como agradecimento pela emoção

De poder sentir a paz, dentro da alma.

 

Volteiam borboletas, tão vaidosas,

Que todas têm cores diferentes,

Parecendo lançar, como presentes,

Sobre a cabeça, pétalas de rosas.

 

E, assim, envolvido em tanta beleza,

Eu lanço, ao espaço, um grito de alegria

Por sentir que existe tanta poesia

Em tudo o que respeita à natureza.

 

 

In “Os Confrades da Poesia”

Boletim Bimestral 45 – Jan/Fev. 2012

 

António Barroso (Tiago)

N. 1934

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Domingo, 18 de Novembro de 2012

Eu li... Valter Hugo Mãe

INÊS SUBTIL

 

talvez seja o momento de te dizer

que sou da mais vil beleza, feito de

amar entre os homens apenas as coisas

mais efémeras

 

talvez seja o momento de te dizer

que me cresceram os teus seios mais

jovens, numa indisfarçável necessidade de

que me pertençam entre as coisas

que te cedo

 

talvez seja o momento de te dizer

que o teu corpo mulher é um exagero do

meu deus, generoso mais do que nunca na

liberdade da minha fome

 

não estou certo de que seja o momento de

pedir mais ainda, quanto te roubo a alma e

aos poucos a entorno pelo caminho até ao

outrora vazio do meu coração

 

como não sei se será certo padecer de alguma

felicidade imprudentemente, naquele

miudinho perigoso de estar quase a

morrer de amor por ti

 

também eu me sinto capaz de desmaiar com

um orgasmo. mas só agora, aos trinta e

sete anos, só contigo

 

 

In  “Mil e Setenta e Um Poemas”

Thesaurus Editora

 

Valter Hugo Mãe

(Poeta Angolano)

N. 1971

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Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

Eu li... Alberto Osório de Castro

CRISANTEMAS

 

Tão longe do Fúsi-no-Yama,

No nosso outono, as exiladas

Crisantemas da terra em chama,

Florescem em tardes geladas.

 

Do seu canto natal de flama

Ainda mal desacostumadas,

Florescem em tardes geladas,

Tão longe do Fúsi-no-Yama!

 

E uma noite negra de lama,

As que viam noites doiradas,

Caem nas charcas, desfolhadas...

Longe de tudo o que se chama,

Tão longe do Fúsi-no-Yama!

 

 

Exiladas, 1895

 

Alberto Osório de Castro

1868-1946

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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012

Eu li... Américo Teixeira Moreira

CANÇÃO PARA UMA RAPARIGA DA HORTA

 

Pede o ritmo lento do milhafre a

resvalar sobre o corpo, a loucura

em viagem no frémito dos lábios a

dor, o fogo e o mar no silêncio escuro.

 

Pede o eco labiríntico das águas

e não digas nada, o vento dói

ao dizer que te espero como nunca

junto ao rumo das gaivotas solitárias.

 

Pede a fúria das pálpebras bebidas

na vaga tela oculta no farol

a desembocar no infinito embriagado.

 

Pede a duna atlântica no pensamento

barco perdido no percurso da bruma

a soprar forte na carne de espuma

 

 

In “Visões de Bruma”

Prémio “Antero de Quental” – 1986

 

Américo Teixeira Moreira

N. (????)

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Sábado, 3 de Novembro de 2012

Eu li... Beatriz Amaral

INTERVALO

 

há não-espaço

quando tenso

 

o arco da sílaba,

acento de lótus

 

e sem haver

(com) portas há:

lendas de Mercúrio

 

vogal e fósforo,

óleo e gomo

 

o não-tempo

intervale a

outro senso

 

teor de amêndoas,

figo-figura

 

de não-língua, ócio

beijo em pronúncia

 

mel, ferrão de abelha

fio-rasura

 

 

In “Luas de Júpiter”

Anome Livros

 

Beatriz Amaral

(Poetisa Brasileira)

N. 1960

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