Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

Eu li... Irmã Maria Rita Valente Perfeito

A NOITE E O DIA

 

Pedi à noite

Que me desse o dia,

E a noite

Emudeceu.

 

Porquê esta nostalgia?

Porquê

Pergunto eu.

 

E eu voltei a suplicar

À noite que me desse

O dia

E a noite, por fim, respondeu:

 

"Não sabes

Que é o Sol do Amor

Que faz o dia?!

 

Sem o sorriso da Alegria,

O dia é noite.

A noite sou eu...".

 

 

In “Fátima Missionária”

 

Irmã Maria Rita Valente Perfeito

N. 1920

 

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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Eu li... Camilo Pessanha

IMAGENS QUE PASSAIS PELA RETINA

Imagens que passais pela retina
Dos meus olhos, porque não vos fixais?
Que passais como a água cristalina
Por uma fonte para nunca mais!...

 

Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncais,
E o vago medo angustioso domina,
– Porque ides sem mim, não me levais?

 

Sem vós o que são os meus olhos abertos?
– O espelho inútil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos...

 

Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão casual de meus dedos incertos,
 – Estranha sombra em movimentos vãos.

 

 

Clepsidra

 

In ”Ler Por Gosto”

Areal Editores

 

Camilo Pessanha

1867 – 1926

 

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Domingo, 19 de Setembro de 2010

Eu li... Antero Quental

AMOR VIVO

 

Amar! mas de um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
D’uma doída cabeça escandecida...

Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser – e não só beijos
Dados no ar – delírios e desejos –

Mas amor... dos amores que têm vida...

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia...

Nem murchará do sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?


In “Sonetos Completos”

Publicações Anagrama

 

Antero Quental

1842 – 1891

 

 

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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Eu li... Maria Cândida Mendonça

A COR QUE SE TEM

 

Quando for crescida
hei-de inventar
um perfume de encantar.
Quem o cheirar
há-de ficar
com cor de pele
que mais gostar.
Branco ou amarelo
se preferir
preto ou vermelho
é só decidir.
Para alegrar
até estou a pensar
outras cores acrescentar.
Cor de rosa
verde ou lilás
são cores bonitas
e tanto faz.
E assim
há-de chegar
o dia de acreditar
que o valor
de alguém
não se pode avaliar
pela cor que tem
e então
tudo estará bem.

 

 

In “A Cor Que Se Tem”

Plátano Editora

 

Maria Cândida Mendonça

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Sábado, 11 de Setembro de 2010

Eu li... Manuel Alegre

BALADA DA SOCIEDADE DE CONSUMO

 

Eles cantavam nas margens dos grandes rios.

 

Havia a sociedade de consumo.

Mas eles perguntavam e o homem? É só o que consomem

é só o homem e o seu sumo?

Onde está o homem? O homem? O homem?

 

E cantavam nas margens dos grandes rios.

 

Havia automóveis, frigoríficos, televisão

havia sociedades por acções.

Mas eles perguntavam: e o amor? É só solidão?

É só esta mobília a prestações?

 

E cantavam nas margens dos grandes rios.

 

Havia o verbo ser e o verbo ter

havia o não haver e o haver demais.

Mas eles perguntavam: e viver?

É só este não ser para ter mais?

 

E cantavam nas margens dos grandes rios.

 

 

 

Manuel Alegre

N. 1936

 

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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Eu li... Paulino António Cabral

EU COMO, EU BEBO, EU DURMO E A VIDA PASSO

 

Eu como, eu bebo, eu durmo e a vida passo

Ora bem, ora mal, como sucede:

Tomo tabaco, e chá; e se mo pede

O génio alguma vez, eu Nize abraço:


As vezes jogo, as vezes versos faço,

Que mais que a arte a natureza mede:

E talvez por saber como procede

Em se mover o Sol círculos traço.


Alguma vez me agrada a soledade,

Outras vezes a nobre companhia;  

E desta sorte vou passando a idade:


E espero assim que venha a morte fria

Com o manto da eterna escuridade

Encobrir-me de todo a luz do dia.

 

 

In “Poesias de Paulino Cabral de Vasconcelos II”

Of. de António Alvarez Ribeiro

 

Paulino António Cabral

(Abade de Jazente)

1719 – 1789

 

 

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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

Eu li... António de Sousa

A VELHA SALA

 

A velha sala sonolenta

cheira a  bordado, a missanga,

a flores mortas, a tristeza, a pó.

Cheira a silêncio inútil

e amareladas pontas de cigarros

só fumados até meio.

 

A traça roi, nas estantes,

livros que já ninguém lê,

livros que ninguém leu até ao fim.

Do piano, se o tocassem,

a música sairia com bolor!

 

Da velha sala sonolenta

vem qualquer coisa que dá pena

e vontade de fugir!

Oh, a minha alma cheia de saudades!

 

 

 

In "Ilha Deserta"

Editorial Inquérito – 1954

 

António de Sousa

1898 – 1981

 

 

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