Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Eu li... Lopes Morgado

MENINO JESUS

 

Tuas mãos tudo partilham

do Todo que nos trouxeste.

Teus olhos, felizes, brilham

pelo “Sim” que ao Pai disseste.

 

Simples, meigo, despojado

para vestir nossa veste,

Tu és o Deus humanado

que nosso Irmão te fizeste.

 

Jesus Menino em Belém,

em Nazaré Tu cresceste;

homem, em Jerusalém

morte injusta padeceste.

 

Salvador de todo o povo

sem distinção, que nos deste

a esperança de um Mundo Novo,

bem-vindo porque vieste!

 

 

Frei Lopes Morgado

 

(Inspirado na imagem do Menino feita pelas Irmãzinhas de Jesus)

 

 

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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Eu li... Almeida Garrett

ESTES SÍTIOS 

 

Olha bem estes sítios queridos, 
Vê-os bem neste olhar derradeiro... 
Ai! o negro dos montes erguidos, 
Ai! o verde do triste pinheiro! 
Que saudades que deles teremos... 

Que saudade; ai, amor, que saudade!  
Pois não sentes, neste ar que bebemos,  

No acre cheiro da agreste ramagem,  
Estar-se alma a tragar liberdade 
E a crescer de inocência e vigor!  

Oh! aqui, aqui só se engrinalda 
Da pureza da rosa selvagem, 
E contente aqui só vive Amor. 

O ar queimado das salas lhe escalda  

De suas asas o níveo candor, 
E na frente arrugada lhe cresta 
A inocência infantil do pudor. 

E oh! deixar tais delícias como esta! 
E trocar este céu de ventura 
Pelo inferno da escrava cidade! 

Vender alma e razão à impostura, 
Ir saudar a mentira em sua corte, 
Ajoelhar em seu trono à vaidade, 
Ter de rir nas angústias da morte, 
Chamar vida ao terror da verdade... 
Ai! não, não... nossa vida acabou, 
Nossa vida aqui toda ficou. 
Diz-lhe adeus neste olhar derradeiro, 
Diz à sombra dos montes erguidos, 
Di-lo ao verde do triste pinheiro, 

Di-lo a todos os sítios queridos 
Desta rude, feroz soledade, 
Paraíso onde livres vivemos,

Oh! saudades que dele teremos, 

Que saudade! ai, amor, que saudade! 

 

 

Folhas Caídas – 1853

 

In “SIGNOS”

Lisboa Editora

 

Almeida Garrett

 

 

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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Eu li... Francisco Duarte

PARA AQUÉM DE ABRIL


Entardeceram
nos umbrais da aurora
as memórias do teu rosto
Abril...
Nunca mais soprou o vento
depois
de Novembro
a vida
petrificou-se na inconstância
do rio...
não mais navegam
o teu sorriso
de florestas virgens

Hoje
passeio atónito
na neblina
das montanhas
fluir no tempo
na inércia da aventura
sonhar parado
no caminho em movimento
vir à estrada
e saber oscilar no horizonte
ser a terra
o mar
o sol
e a boca
cantar poema aberto
esperança viva
olhar o homem disperso
e cantá-lo
com a herança do ventre
reinvento-me
e não passo da superfície
deste mar austero

nos flancos do dia
arde o inatingível
torno a inventar

(o desfraldar das areias
vai-se consumindo
até que o sol nasça)


In “Afluentes de Liberdade”
Edições Milho-Rei

 

Francisco Duarte

 

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Domingo, 18 de Abril de 2010

Eu li... Paula Alexandra Faustino

AGARRA O TEMPO

 

O momento é fugaz e passageiro

de aroma caduco embebido.

Corre, luta, conquista-o primeiro!

Ou, antes que chegues, já terá ido…

 

A vida nunca espera por ti

numa esquina qualquer parada.

Há vivos que já dizem: “Eu morri”!

Porque, de vontade, não têm anda.

 

Agarra hoje o que chamas tempo.

Caminha com a vista no amanhã.

É fugaz e passageiro o momento.

 

Já, era ontem perdido no tempo.

E o futuro, dia de amanhã,

vem apressado, correndo no vento...

 

 

In “Fátima Missionária”

 

Paula Alexandra Faustino

 

 

 

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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Eu li... Juraci de Oliveira Chaves

O PRESIDIÁRIO

À minha frente, grades enormes
Ao sul cortinas de tijolos queimados
A luz em conta-gotas invade pela fresta
Sem nenhuma alegria o sol, penetra.

Neste sub mundo imundo onde vivo
Sonhos de liberdade invento
Intenção minha passar rápido o tempo
E a dor da tristeza do isolamento.

Nas paredes sujas rabiscadas
Uma mensagem de amor me acalenta...
Que injustiça essa justiça
Lacra-me e o criminoso inocenta.

Meus pensamentos navegam distantes
Na incerteza de um dia poder provar:
Sou inocente, sob tortura confessei.
Esperança no resultado do DNA.

Neste cárcere a traçar planos inatingíveis
Embalando a agonia de minha sina
Nada acontece, tudo se cala
Sentença longa me alucina.

Solidão que me consome o coração
Sem minha família, longo deserto
Tudo tão longe, mesmo tão perto.
Desmembrado rejeito a própria vida.

Nesta desilusão infinita
Sem luz e sem luar
Viver para quê? Para quem?
Digo adeus, vou para o além.


Novembro 2001

 

Juraci de Oliveira Chaves

(Poetisa Brasileira)

 

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Sábado, 10 de Abril de 2010

Eu li... Rodrigo Garcia Lopes

FUGAZ

 

passagem por uma paisagem,

lugar do onde, do ontem, do quando,

quantas palavras ficaram faltando

na boca cheia de imagens.

o outro é aquele que ficou à margem,

no espanto de um pronome,

no corpo de uma brisa suave;

o outro é como uma fome

pluma à deriva, à distância, ou quase.

 

estranho em sua própria viagem,

garrafa com uma mensagem,

olhar durando numa flor,

sem nome, secreta, selvagem.

 

Desterro, água bebida num trem,

peça incompleta, festa adiada, vertigem,

a cabeça sempre em alguém,

eu outro, eu todos, ninguém.

 

VISIBILIA

 

In “Poemas 1994 – 1997”

Sette Letras – RJ – Brasil  

 

Rodrigo Garcia Lopes

(Jornalista e escritor brasileiro)

 

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Terça-feira, 6 de Abril de 2010

Eu li... Sidónio Muralha

XADREZ

 

É branca a gata gatinha
é branca como farinha.

 

É preto o gato gatão
é preto como carvão.

 

E os filhos, gatos gatinhos,
são todos aos quadradinhos.

 

Os quadradinhos branquinhos
fazem lembrar mãe gatinha
que é branca como a farinha.

 

Os quadradinhos pretinhos
fazem lembrar pai gatão
que é preto como o carvão.

 

Se é branca a gata gatinha
e é preto o gato gatão,
como é que são os gatinhos?

 

– os gatinhos eles são,
são todos aos quadradinhos.

 

 

In “A Televisão da Bicharada”

 

Sidónio Muralha

 

 

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