Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Eu li... Bertold Brecht

ESSE DESEMPREGADO!


Meus senhores, é mesmo um problema
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve sumir.
Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!

 

 

In “Antologia Poética”

 

Bertold Brecht

(Poeta e dramaturgo alemão)

 

 

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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Eu li... Manuel António Cordeiro

NOITE DE NATAL

 

É na noite de Natal

A data comemorada

Em reunião familiar

É noite de consoada.

É a data festejada

Do nascimento do Senhor

É a data desejada

Por ser de paz e amor.

 

Amor por Jesus Senhor

E por amor familiar

Sempre com paz e amor

Desejamos festejar

E da festa resultar

Um amor acumulado

E desse amor encontrar

O perdão do seu pecado.

 

Amor sempre desejado

A toda a humanidade

Devendo ser conservado

Até à eternidade.

Por Jesus acompanhado

Com muito amor e carinho

No Natal é festejado

O nascimento do Divino.

 

Em reunião familiar

Cheios de amor, paz e luz

Comem, bebem e a cantar

Vão louvando a Deus Jesus.

Que nasceu p’ra nos salvar

E foi pregado na cruz

Que para nos abençoar

Nós rezamos a Jesus.

 

É Jesus de Nazaré

O nosso homenageado

Pelo Natal é que é

Por todos nós festejado.

Que põe na chaminé

O sapato com cuidado

Para com a nossa fé

Obter o desejado.

 

 

In “Realismo Popular” – 3.ª Publicação

Porto da Lage – Tomar

 

Manuel António Cordeiro

 

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Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Eu li... David V. Gonçalves

IGUALDADE

 

Ser homem ou ser mulher,

Ter cor da pele qualquer,

Não tira dignidade,

Já é humanidade.

 

O rei e o presidente,

O pobre e o mendigo,

Néscio ou ciente,

São iguais, amigo.

 

Todos são diferentes,

Há condições sociais,

Mas... sangue azul nas mentes?

- Não queremos nunca mais.

 

Diz ao mais pequenino:

- Tens valor universal,

És águia, sai do ninho,

Alto voa, és igual.

 

 

In "Valores Universais"

 

David V. Gonçalves

 

 

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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Eu li... Castro Alves

ONDE ESTÁS

 

É meia-noite... e rugindo
Passa triste a ventania,
Como um verbo de desgraça,
Como um grito de agonia.

E eu digo ao vento, que passa
Por meus cabelos fugaz:
“Vento frio do deserto,
Onde ela está? Longe ou perto?”
Mas, como um hálito incerto,
Responde-me o eco ao longe:

“Oh! minh'amante, onde estás?...”
Vem! É tarde! Por que tardas?
São horas de brando sono,
Vem reclinar-te em meu peito
Com teu lânguido abandono!...
'Stá vazio nosso leito...

'Stá vazio o mundo inteiro;
E tu não queres qu'eu fique
Solitário nesta vida...
Mas por que tardas, querida?...
Já tenho esperado assaz...
Vem depressa, que eu deliro

Oh! minh'amante, onde estás?..
Estrela - na tempestade,
Rosa - nos ermos da vida,
Íris – do náufrago errante,
Ilusão – d'alma descrida!
Tu foste, mulher formosa!

Tu foste, ó filha do céu!...
...E hoje que o meu passado
Para sempre morto jaz...
Vendo finda a minha sorte,
Pergunto aos ventos do Norte...
“Oh! minh'amante, onde estás?...”

 

 

In “Espumas Flutuantes”

 

Castro Alves

(Poeta Brasileiro)

 

 

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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Eu li... Rita Lima Cadeia

 

MEU FILHO, POR FALTA DE TEMPO ERREI

 

Meu filho eis o testemunho de tua mãe

Escuta esta confidência

É um grito que do coração me sai

E que só tu me darás a penitência

 

Reconheço, arrependida a minha culpa

Passei a vida a correr

Não tive tempo para ti

Somente para te fazer

 

Quantas vezes me estendestes

Os teus pequeninos braços

E eu nunca tive tempo

Desses teus puros abraços

 

Com rapidez à noitinha

Ao teu quarto ia espreitar

Quem sabe se com o tempo

Estarias a sonhar!

 

Reconheço arrependida a minha culpa

Quando fostes prá a escola, eu sem me aperceber

Que egoísmo não ter tempo

Nem sequer de te ouvir ler

 

Reconheço arrependida a minha culpa

Quando me pedias para contigo falar

Eu sempre me desculpava

Meu filho, quando voltar...

 

Reconheço arrependida a minha culpa

Pela herança que te deixei

Deixei-te falta de tempo

E por falta de tempo errei

 

Afinal o tempo fica

Meu reino chegou ao fim

Agora que tenho tempo

Tu não tens tempo p’ra mim

 

Ah meu filho, meu filho se eu pudesse

Resgatava o tempo que perdi

Porque parte desse tempo era só teu

Tempo que passou mas não vivi

 

Procura tempo meu filho

Há sempre tempo para pensar

Há sempre tempo para ouvir

Há sempre tempo para amar

 

És juiz do tempo que te furtei

Dá-me o teu perdão e um abraço

Pelo silêncio, pelas lágrimas

E pelas horas que não te amei.

 

 

In “Jornal de Noticias” – 19/03/00

 

Rita Lima Cadeia

 

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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Eu li... Leonel Neves

UM ROMANCE DE REGRESSO

 

Vindo do Mundo Perdido,

Mau-Máli foi à missão,

por acaso ou a pedido

ensinar sua lição,

fazer o que em qualquer parte

faria como artesão:

trabalhar na sua arte

de bonecos de latão.

 

Depois, ou por ter gostado

desta ou daquela oração,

ou por ter-se enamorado

de algum Cristo de latão,

fosse lá pelo que fosse,

Mau-Máli fez-se cristão,

dentro e fora baptizou-se,

Mau-Máli virou João.

E, como João, guardou

dentro do seu coração

não palavras que escutou

mas toda a sua intenção.

Pecados mortais e tudo

ouviu com muita atenção…

mas, guerreiro sobretudo,

que lá matar, isso não!

 

Tendo assim acontecido,

dada e tomada a lição,

voltou ao Mundo Perdido,

não Mau-Máli, mas João.

E a mulher barlaqueada

com Mau-Máli artesão

já com outro tinha armada

sua esteira de traição.

 

Um timor que assim se engana

sabe a sua obrigação,

a que só uma catana

pode dar satisfação.

Uma adúltera confessa

merece tanto perdão

como o outro: sem cabeça,

o seu crime pagarão.

Mas o que Mau-Máli sabe,

o que manda a tradição,

é coisa que já não cabe

na cabeça de João.

Poderia esquecer tudo,

Cristo, baptismo, oração,

mas lembra-se sobretudo

que lá matar, isso não!

 

Ora já fora cumprido

o seu tempo na Missão,

já só no Mundo Perdido

há bonecos de latão,

não há lugar onde ponha

sua vida de artesão.

Sem lavar sua vergonha

como há-de viver João?

Por isso decapitou-se

com um só golpe de mão.

 

Mas... João suicidou-se?

- Mau-Máli matou João!

 

In “Memória de Timor-Leste”

Edições Pedra Formosa

 

Leonel Neves

(Poeta Timorense)

 

 

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