Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Eu li... Jacinto de Almeida

PRANTO

 

No coração torturado,

Lado a lado lá ficou,

Com o pranto, a saudade,

Daquele amor que acabou!...

 

Na vida apenas não chora

Quem um dia não amou…

 

Na noite longa, estrelada,

A minha alma dolorida

À tristeza abandonada

Chora, baixinho, por ti!...

 

Tem cautela, tem cuidado,

Passa de largo: Que eu sou

Esse louco, desvairado,

Que em vida tanto te amou!...

 

A vida…

É estrada perdida,

Estrada longa sem ter fim…

Ai, pobrezinho de mim,

Por essa estrada onde vou!...

 

Já que o amor me roubaste

Não me roubes a saudade

Que desse amor ficou!...

 

Não me busques, vai-te embora!...

 

Nesta vida só não chora

Quem um dia não amou!...

 

 

In “Saudades de Amor”

 

Jacinto de Almeida

 

 

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Eu li... Teófilo Minga

RENASCER

 

Morte,

Apenas a hora do limite.

Mas não a hora da finitude.

Não é a vida que se demite:

Adquire apenas outra amplitude!

Amplitude que liga a terra ao céu

No corpo, sem vida, que jaz

Prisioneiro da terra que o desfaz!

Ali, prisioneiro, inerte,

À espera da Palavra que o liberte

Do tempo e da história…

À espera da Palavra – Vitória!

Eu quero apenas dizer,

À espera, sempre à espera

Desta Primavera

Que não morreu e vai renascer!

 

In “Fátima Missionária”

 

Teófilo Minga

 

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Sábado, 20 de Junho de 2009

Eu li... Davide V. Gonçalves

A PONTE FAZ UNIÃO

 

Eu quero ser

ponte a unir.

Eu não quero ser

muro a dividir.

 

Só a ponte faz união.

O muro é separação.

 

Une um ponto

a ponte

a outro ponto;

leva cada um a seu irmão;

a ponte gera comunhão.

 

 

In “Fátima Missionária”

 

Davide V. Gonçalves

 

 

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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Eu li... William Shakespeare

SONETO XXVII

 

Cansado de tanta labuta corro para a cama,

O caro repouso para os membros fatigados de tanto viajar;

Mas começa então uma viagem mental,

Para cansar minha mente, quando já se esgotou o corporal:

 

Pois então meus pensamentos (desde longe onde me quedo)

Começam zelosa peregrinação até ti,

E mantém minhas pálpebras a cair completamente escancaradas,

Fitando a escuridão, que os cegos miram:

 

Só que a visão imaginária de minh’alma

Apresenta a tua imagem ao meu olhar sem visão,

A qual, tal qual jóia engastada na noite horrenda,

 

Torna linda a negra noite e sua velha face nova.

Assim que, de dia meus membros, de noite minha mente,

Para ti e para mim, não encontram descanso.

 

 

 

In “Sonetos de William Shakespeare”

 

William Shakespeare

(Poeta Inglês)

 

 

 

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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Eu li... Hamilton Carneiro

A COLHEITA

 

Ainda hoje me lembro,

era manhã de Setembro,

de sol com imenso brilho.

Eu à frente abrindo cova,

Chiquinha, menina nova,

vinha atrás plantando o milho.

 

O sol dava um bronzeado

no seu rostinho corado,

dando-lhe uma cor morena;

cada grão que ela plantava

uma esperança brotava

como brota uma açucena…

 

A natureza não erra:

vi os grãos rachando a terra

e o broto  surgir robusto;

e em cada braça do eito

o coração beijava o peito

que nem o vento no arbusto.

 

O milho cresceu depressa,

parecia uma promessa

na minha boca granando;

e no tempo da colheita,

Chiquinha, mocinha feita

era a espiga se empalhando.

 

Numa tarde de pamonha,

eu sem jeito, com vergonha,

já pressentia o perigo…

Fui buscar no milharal

mais milho para o curau,

e Chiquinha foi comigo.

 

Quebrando milho na chuva

eu tropeçava nas curvas

do seu corpinho molhado…

E debaixo do pé de milho,

como espigas de um atilho

ficamos os dois atados.

 

Passou um ano e desta feita,

vou fazer outra colheita,

o ano foi bom pro milho…

Enquanto o pé solta espiga

Chiquinha solta a barriga

pra colhermos nosso filho.

 

In “Empório Brasil” – S. Paulo – 1988

Editora Clube do Livro/Melhoramentos 

 

Hamilton Carneiro

(Folclorista e apresentador Brasileiro)

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Eu li... António Nunes

POEMA DE MANHÃ

 

Mamãe!
sonho que, um dia,
em vez dos campos sem nada,
do êxodo das gentes nos anos de estiagem
deixando terras, deixando enxadas, deixando tudo,
das casas de pedra solta fumegando do alto,
dos meninos espantalhos atirando fundas,
das lágrimas vertidas por aqueles que partem
e dos sonhos, aflorando, quando um barco passa,
dos gritos e maldições, dos ódios e vinganças,
dos braços musculados que se quedam inertes,
dos que estendem as mãos,
dos que olham sem esperança o dia que há-de vir
– Mamãe!
sonho que, um dia,
estas leiras de terra que se estendem,
quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
serão nossas.

E, então,

o barulho das máquinas cortando,

águas correndo por levadas enormes,

plantas a apontar,

trapiches pilando

cheiro de melaço estonteando, quente,

revigorando os sonhos e remoçando as ânsias

novas seivas brotarão da terra dura e seca!...

 

 

In “Antologia Temática de Poesia Africana, I”

Editora Sá da Costa

 

António Nunes

(Poeta Cabo-Verdiano)

 

 

 

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