Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Eu li... Johann Wolfgang von Goethe

PROMETEU (PROMETHEUS)

 

Encobre o teu céu, ó Zeus,
Com vapores de nuvens,
E, qual menino que decepa
A flor dos cardos,
Exercita-se em robles e cristas de montes;
Mas a minha Terra
Hás-de-ma deixar,
E a minha cabana, que não construíste
E o meu lar,
Cujo braseiro
Me invejas.

Nada mais pobre conheço
Sob o sol do que vós, o Deuses!
Mesquinhamente nutris
De tributos de sacrifícios
E hálitos de preces
A vossa majestade;
E morreríeis de fome, se não fossem
Crianças e mendigos
Loucos cheios de esperança.

Quando era menino não sabia
p’ra onde havia de virar-me,
Voltava os olhos desgarrados
Para o sol, como se lá houvesse
Ouvido pra o meu queixume.
Coração como o meu
Que se compadecesse da minha angústia.

Quem me ajudou
Contra a insolência dos Titãs?
Quem me livrou da morte
Da escravidão?
Pois não foste tu que tudo acabaste,
Meu coração em fogo sagrado?
E jovem e bom – enganado –
Ardias ao Deus que lá no céu dormia
Tuas graças de salvação?

Eu venerar-te? E por quê?
Suavizaste tu jamais as dores
Do oprimido?
Enxugaste jamais as lágrimas
Do angustiado?
Pois não me forjaram Homem
O tempo todo-poderoso
E o Destino eterno,
Meus senhores e teus?

Pensavas tu talvez
que eu havia de odiar a vida
E fugir para os desertos,

Lá porque nem todos
Os sonhos em flor frutificaram?


Pois aqui estou! Formo Homens
À minha imagem,
Uma estirpe que a mim se assemelhe:
Para sofrer, para chorar,
Para gozar e se alegrar,
E p’ra não te respeitar,
Como eu!


In “Ler Por Gosto” Areal Editores

 

Johann Wolfgang von Goethe

(Poeta Alemão)

 

(Tradução de Paulo Quintela)

 

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Sábado, 25 de Outubro de 2008

Eu li... Florbela Espanca

HUMILDADE

 

Toda a terra que pisas, eu q'ria, ajoelhada,
Beijar terna e humilde em lânguido fervor;
Q'ria poisar fervente a boca apaixonada
Em cada passo teu, ó meu bendito amor!

De cada beijo meu, havia de nascer
Uma sangrenta flor! Ébria de luz, ardente!
No colo purpurino havia de trazer
Desfeito no perfume o mist'rioso Oriente!

Q'ria depois colher essas flores reais,
Essas flores de sonho, estranhas, sensuais,
E lançar-tas aos pés em perfumados molhos.

Bem paga ficaria, ó meu cruel amante!
Se, sobre elas, eu visse apenas um instante
Cair como um orvalho os teus divinos olhos!

 

 

 

In “O Livro D’Ele – Poesia Completa”

Publicações D. Quixote

 

Florbela Espanca

 

 

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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Eu li... Sá de Freitas

AINDA QUERO DA VIDA, SIM...

 

Ainda, da vida, tanta coisa quero,

Pois enquanto vivermos há desejos,

Há sonhos, esperanças e tanto almejos,

E os meus projectos realizar, espero.

 

Quero escrever mais versos de ternura;

Quero fazer poemas de esperança;

E optimismo deixar, em minha andança,

Por este mundo cheio de amargura.

 

O dia em que eu quiser não querer nada,

Serei apenas sombra projectada,

Na tela deste muito o que fazer.

 

Vou me sentir um ser triste e perdido,

Que veio à Terra só por ter nascido,

E que já morto está, sem perceber.

 

 

Sá de Freitas

(Poeta Brasileiro)

 

(Gentilmente remetido pela amiga Maria Luiza Carvalho)

 

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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Eu li... Maria Albertina Tavares

GOLFINHO

 

Com o singelo carinho,

Que vem deste coração,

Aqui vos mando um golfinho

Saltando da minha mão...

 

Com minha alma ele fala

E histórinhas me conta,

E o meu ser se regala.

De as ouvir, num faz-de-conta...

 

Como eu gostava, amiguinho,

De te ter sempre comigo,

Nas horas boas e más...

 

Mas tens de seguir, filhinho,

E procurar outro abrigo,

Pois dentro de mim, já estás!...

 

Poema não editado de

Maria Albertina Tavares

 

 

(Gentilmente cedido pela Autora)

 

 

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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Eu li... Maria Aurora Santos Costa

OUVIR

 

Quando ouço o som de uma guitarra

Entoando um clássico de Albeniz,

Meu coração, de todo se desgarra,

E algo, de Amor, aos meus sentidos diz.

 

Evadida da Terra, que me assusta,

Contemplo, longe, o Além desconhecido;

Sonho, e ao acordar, sinto que custa

Deixar de ouvir o Som, em mim contido.

 

Caminho, então, e ouço, ausente,

Uma guitarra gemendo dentro de mim;

E assim, a Vida, sempre no presente,

É mais fácil seguir até ao fim.

 

 

In “Mágoas de Esperança” – Poemas – 1989

Edição da Autora

 

Maria Aurora Santos Costa

 

 

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Domingo, 5 de Outubro de 2008

Eu li... Afonso Lopes Vieira

O CÃO

 

O cão

Que faz ão, ão

É bom amigo como os que o são!

 

É bom amigo, bom companheiro,

É valente, fiel, verdadeiro,

Leal, serviçal,

E tem bom coração

 

Que o diga o seu dono, se ele o tem ou não!

 

Quem vem de fora, a gente

E chega a casa, é o cão

Quem diz primeiro, todo prazenteiro,

Saltando e rindo

Contente,

E com olhos a brilhar de amor:

 - "Ora seja bem vindo

O meu senhor"

 

O cão

Que faz ão, ão

É bom amigo como os que o são!     

 

 

In “Canto Infantil”

 

Afonso Lopes Vieira

 

 

 

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