Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Eu li... Isabel Seixas

EMPRESTA-ME A TUA VOZ

 

Empresta-me a tua voz

Quando não puder falar

Previne esse medo atroz

Que nos incita a calar…

 

Empresta-me a tua voz

Para entoar um sorriso

Que nos torne menos sós

Audível quando é preciso…

 

Empresta-me a tua voz

Para poder dizer o que sinto

E o que me faz este labirinto…

 

Empresta-me a tua voz

Para trautear a melodia

Que amenize o dia a dia…

 

 

In “Resquícios de Luz”

Colecção Sinais de Poesia

Edição de Formasau – Coimbra

 

Isabel Seixas

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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Eu li... Guilherme de Almeida

INDIFERENÇA

Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.

Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado

Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.

Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!

 

 

Guilherme de Almeida

(Poeta Brasileiro)

 

 

 

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Domingo, 20 de Julho de 2008

Eu li... Adolfo Simões Muller

ERA UMA VEZ…

 

Quando eu era pequenino,
gostava de ouvir contar
histórias de princesinhas
encantadas ao luar.

 

Havia então lá em casa
uma criada velhinha,
a Sérgia contava histórias
 – e que graça que ela tinha!

 

Lendas de reis e de fadas,
inda me incheis a lembrança!
Que saudades de vós tenho,
ó meus contos de criança!

 

“Era uma vez…” As histórias
começavam sempre assim;
e eu, então, sem me mexer,
ouvia-as até ao fim.

 

Lembro-me ainda tão bem!
Os irmãos à minha beira,
calados! E a boa Sérgia
contava desta maneira:

 

“Era uma vez…” E depois,
olhos fitos nos seus lábios,
ouvia contos sem conta
de gigantes e de sábios…

 

“Era uma vez…” E, por fim,
a voz da Sérgia parava…
E assim como eu te contei
era como ela contava.

 

Ai! que saudade, que pena,
que nos meus olhos tu vês!
Eu sentava-me e ela, então,
começava: - “Era uma vez…”

 

 

In “O Príncipe Imaginário e

Outros Contos Tradicionais Portugueses”

 

Adolfo Simões Muller

 

 

 

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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Eu li... Lopes Morgado

 

SÓ POR ISSO, MÃE

 

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

 

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.

 

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.

 

Só porque tu existes,
Vale a pena!

 

In "Mulher Mãe"

 

Lopes Morgado

 

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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Eu li... Maria João Brito de Sousa

O MUNDO NUMA MÃO

 

Debalde me levanto e me preparo

Para abarcar o mundo num abraço

E, sem sequer saber porque é que o faço,

Ao tocar-lhe ao de leve é que reparo

 

Que, sendo humana,  ainda me deparo

Com as limitações deste meu traço...

Embora tendo o mundo no regaço

Sou apenas mulher e não é raro

 

Sentir-me limitada e pequenina

Dentro deste meu corpo perecível...

Talvez ter asas seja uma invenção

 

Da minha fantasia de menina,

Mas sei que estão em mim e que é possível

Caber-me o mundo inteiro numa mão!

 

 

Poema não Editado

 

Maria João Brito de Sousa

 

(Gentilmente cedido pela autora)

 

 

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Sábado, 5 de Julho de 2008

Eu li... Cesário Verde

MANIAS



O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, - hoje uma ossada, -
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!

 

Lisboa 1874

 

In “O Livro de Cesário Verde”

 

Cesário Verde

 

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