Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Eu li... Álvares de Azevedo

AMOR

 

 

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu!
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança!
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!

Vem, anjo, minha donzela,
Minha alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento,
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

 

 

In “Lira dos Vinte Anos”

 

Álvares de Azevedo

(Poeta Brasileiro)

 

 

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Domingo, 25 de Maio de 2008

Eu li... Artur César Vale Rêgo

Ó MAR DE MIRAMAR

 

Ó mar de Miramar, que me ensinaste

a gatinhar, a andar, a ser traquina;

como é que a tua água cristalina

tão bem conserva os gestos que apanhaste?

 

Como é que as aguarelas que pintaste

nos meus olhos de criança algo divina,

não perdem nunca a cor mais azulina

que lá dos altos céus sempre imitaste?

 

Como é que as tuas ondas rendilhadas

são sempre mansas, ternas, delicadas

como afagos de mãe, meu louco asceta?

 

- Eu sou um mar igual aos outros mares.

Só não o sou p'ra ti, por muito amares

o mar que te fez homem... e poeta!

 

 

In “Dádivas Humildes”

 

Artur César Vale Rêgo

 

(Poema enviado pela pintora Manuela Graça)

 

 

 

 

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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Eu li... Oliveira Estêvão

FUTURO

 

Oh, que será de mim, se, nesta vida,

Eu não tiver o pulso belo e forte?

Não haverá, por certo, quem lhe importe

O sofrimento horrível duma f’rida.

 

E que será de mim, alma perdida,

Se não for bafejado pela sorte?

Nem o sono ancestral da própria morte

Me deixa sentir a fronte erguida!

 

Mas se, por mim, quiser sobreviver

E das próprias ruínas eu me erguer:

Só me verei feliz quando encontrar

 

A fortuna real do meu trabalho

(Consciente do que sou e do que valho)

E o barro em que meu sonho hei-de moldar!

 

Lisboa – Março de 1955

 

In “Pedaços da Minha Alma” – Lisboa – 1971

Edição do Autor

 

Oliveira Estêvão

 

 

 

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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Eu li... Elísio de Vasconcelos

OUTRO…

 

Sinto-me só, imensamente triste,

Embora, à minha volta, muita gente

Me faça sentir perto, mas ausente,

De tudo quanto à minha beira existe.

 

A mágoa fere-me de gume em riste

E torna-me afinal bem diferente…

Pareço não estar em mim presente

Desde a hora cruel em que partiste!

 

Ando ao longe contigo em pensamento,

Alheio ao que me cerca, me atormento

Por ver que o mundo os passos me detém.

 

No «mare magnum» em que vivo a esmo,

Sou outro com saudades de mim mesmo,

Do que já fui sem sombra de ninguém!

 

In “ Ternura Que Me Deste” – Poesia – 1945

Livraria Figueirinhas – Porto   

 

Elísio de Vasconcelos

1907 -1965

 

 

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Sábado, 10 de Maio de 2008

Eu li... Isaura Matias de Andrade

SEGREDOS DA ALMA,

A ALMA OS ADVINHA

 

Em encobria a dor folgando amargurada,

para ninguém jamais saber do meu segredo.

Amor, como eu te amava! A ânsia, o louco medo

que esta afeição por ti viesse a ser notada!

 

Quanta vez sorri em lágrimas banhada

a disfarçar o pranto amargo em riso ledo

como se fosse o sol de manhãzinha cedo

chispando, todo fogo, em cima da geada!

 

E tudo quanto fiz de nada me valeu

porque hoje o meu segredo, Amigo, é todo teu.

A eloquência do amor no silêncio é que existe.

 

Que importa que um sorriso afogue e mate um ai,

se a alma se não prende e é sempre quem nos trai1?

Deus nos guarde o destino heróico, belo e triste.

 

In “Sinfonia da Terra”

Livraria Editora Educação Nacional – 1943 – Porto

 

Isaura Matias de Andrade

 

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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Eu li... Vinicius de Moraes

SONETO DE MAIO

 

Suavemente Maio se insinua
Por entre os véus de Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.

Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.

Raia a aurora tão tímida e tão frágil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto

Carregado de inveja e de presságio
Dos irmãos Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto...

 

 

In “Operário em Construção e Outros Poemas”

Colecção Poesia Século XX – 5ª Edição (1976) 

Publicações D. Quixote

 

Vinicius de Morais

(Poeta Brasileiro)

 

 

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